Roteiros On Line Entrevista
Sérgio Marques

(16/10/2004)



"Uma boa história para novela não é apenas uma boa história.
Tem de ser um enredo com potencial para estender-se,
sem perder o interesse, por muitos capítulos."



ROTEIROS ON LINE - Sérgio, como vc começou a fazer roteiros? O que fazia antes? Qual sua área de formação?
SÉRGIO MARQUES - Eu me formei em Direito, mas nunca exerci a profissão, a não ser indiretamente, como consultor. Trabalhei durante cerca de 20 anos em consultoria a empresas, em assuntos de planejamento, organização etc. Nada a ver com autoria profissional de roteiros de TV. Embora os meus antigos colegas e ainda amigos digam, com certa maldade, que a minha principal qualidade como consultor eram os textos que eu produzia...
ROL - Como se deu sua entrada na Globo? Que trabalhos fazia inicialmente?
SM - Quis ser escritor profissional desde que soube que era possível sobreviver assim - na televisão. Mas só uns dez anos depois disso, em 1983/84, é que uma amiga, que não era de TV mas conhecia pessoas na Globo, me disse que havia uma oportunidade como analista de texto. Fui lá, me apresentei à pessoa que estava selecionando candidatos (a Angela Carneiro, na época analista de texto ela mesma, hoje também escritora, já trabalhamos juntos várias vezes), fiz alguns testes, ela gostou, fui contratado. Hoje, claro, existem na Globo mecanismos mais institucionais para a seleção desse gênero de profissionais, como a oficina de autores.
ROL - Como era seu trabalho como analista de texto? O que fazia?
SM - Essencialmente, a Angela e eu líamos projetos para programas, ou roteiros em tratamentos iniciais, e dávamos uma opinião. Um parecer. Que (pelo menos supostamente) ajudava as pessoas que tinham a responsabilidade de decidir, botar ou não aquele programa no ar.
ROL - Vc foi e é parceiro de Gilberto Braga em muitos trabalhos de sucesso, o último a novela Celebridade. Como é essa parceria? Como é escrever em dupla e com outros roteiristas? Como se dá esse processo?
SM - Em dupla, propriamente, com o Gilberto, fiz apenas a minissérie Anos Rebeldes, em 1992 (com a colaboração do Ricardo Linhares e da Angela Carneiro). Todos os demais trabalhos em que colaborei com o Gilberto envolveram equipes maiores, sobretudo as novelas (fizemos, nós dois e a Leonor Bassères, uma outra minissérie, Labirinto, em 1998). Me parece uma tendência - dividir cada vez mais o peso do trabalho de uma novela. Cada equipe tem seu próprio processo pra conseguir um bom resultado nesse sistema de trabalho - com a velocidade, a qualidade e a uniformidade de texto necessárias. No nosso caso, a coisa funciona mais ou menos assim: fazemos reuniões (mais freqüentes no início, antes da novela ir ao ar; mais raras depois, por falta de tempo, simplesmente), em que se discutem a história, os principais eventos dos próximos capítulos etc.); o autor principal, no caso o Gilberto, depois, consultando ocasionalmente os demais por telefone ou email, elabora um documento-semana, que é essencialmente a história daquela semana; uma outra pessoa faz o que chamamos escaletas, que são a organização, cena a cena, da narrativa (sem diálogos; o autor da escaleta indica o cenário de cada cena e a sequência delas, e faz um resumo da ação de cada uma); os demais roteiristas partem dessas escaletas para produzir o texto final, com diálogos, rubricas de ação ou de intenção para os diretores e atores, etc. O produto de cada uma dessas etapas é submetido a uma revisão - inclusive, claro, o texto final - de todos os autores, que fazem suas observações. E o autor principal libera o texto final aprovado. Isso assegura (pelo menos, tem assegurado) a homogeneidade do texto. Claro que, pra reforçar, há que o mesmo autor se encarregue do mesmo tipo de cena, daquelas em que predomine a presença de personagens com os quais aquele autor se mostre mais à vontade etc. Tem funcionado, conosco e com outras equipes habituais.

"Há um número absurdo de roteiristas
da melhor qualidade desempregados, sem trabalho,
num país cujo potencial para a produção de cinema e de TV
nem precisa ser lembrado".


ROL - Qual sua carga horária diária de trabalho ao escrever uma telenovela como Celebridade, por exemplo? Como é a sua rotina em tais ocasiões?
SM - É muito variável. Eu, particularmente, sou um redator (talvez um digitador....) rápido. Tenho também uma experiência considerável - na elaboração de roteiros, especialmente diálogos, e em trabalhos com o Gilberto. De modo que, quando a minha responsabilidade é simplesmente a de desenvolver as minhas cenas, meu rendimento costuma ser alto, e a carga horária menor. Ainda assim, não sobra tempo para fazer muita coisa mais. Porque, enquanto escreve uma novela, você faz suas cenas, discute a história com os colegas ou com outros membros da equipe, especialmente os diretores, "quebra um galho" inesperado quando ele aparece..... Na média, acho que você pode dizer que um infeliz que escreve novela tem como regra geral uma rotina de acordar, tomar café etc., escrever, e escrever, almoçar e/ou jantar, e escrever, e telefonar, e cuidar do inadiável... e ir dormir estafado. Com um tempinho livre diário para bem pouco mais. No caso das equipes em que tenho trabalhado nos últimos anos, tem-se conseguido, em geral, tirar um dia de folga por semana. Tá bom demais....
ROL - Outro dia a gente falava sobre a falta de glamour no trabalho do roteirista. Vc pode falar um pouco desse isolacionismo?
SM - Não acho que falte glamour propriamente ao trabalho do roteirista. Até ao contrário. Para o bem e para o mal, é uma atividade amplamente reconhecida, divulgada, "badalada" (e também criticada, claro), ao contrário de outras, tão cansativas e meritórias quanto, e que se passam mais ou menos na surdina. O que comentei com você, particularmente, é que, ao contrário do que em geral se supõe, o roteirista profissional é um camarada que trabalha MUITO isolado (exceto pelos companheiros com quem, num determinado momento, está dividindo um trabalho específico). Não tem aquela convivência habitual com os colegas que tem qualquer funcionário de escritório, por exemplo. O papo de corredor ou cafezinho, a hora do almoço. Em média, acho que a gente (quero dizer, os roteiristas de novelas, minisséries e programas do mesmo tipo, na Globo) vai à própria sede da empresa, o Projac, ou outro estabelecimento da Globo, o quê? três, quatro vezes por ano, talvez (com as tradicionais exceções). Acho (e colegas com quem conversei a respeito também acham) que isso explica, por exemplo, o interesse de pelo menos alguns autores pela associação de roteiristas, a ARTV, fundada há quatro anos. É, também, um modo de encontrar amigos. E deve ajudar, do mesmo modo, uma iniciativa como a do Centro de Convivência de Autores, instituído há relativamente pouco tempo pela TV Globo. Pessoalmente, sou a favor, e até muito interessado, na intensificação de iniciativas desse tipo, e é uma das razões fortes pelas quais participo o mais que posso da ARTV e do Centro de Convivência. Não que não seja ótimo trabalhar em casa, dispensar a rotina diária da condução e demais rituais associados. Mas a convivência mais freqüente também é boa, e necessária.
ROL - Sérgio, existe diferença entre o roteiro de telenovela e o roteiro de uma minissérie?
SM - Tecnicamente, em princípio, não. Tanto um roteiro de telenovela quanto um de minissérie obedece a regras básicas similares de divisão em cenas, de técnicas de narração, de organização de diálogos e de rubricas de ação e de intenção etc. (Isso certamente vai soar obscuro a quem não está familiarizado com a "cozinha" de um roteiro. Mas explicar mais detalhadamente soaria repetitivo e óbvio a quem está familiarizado com o assunto; e, de qualquer modo, seria, mesmo que simplificado, bem longo para o espaço de uma entrevista. Desculpe quem achar difícil entender; em outra oportunidade talvez dê para explicar melhor, exemplificar, detalhar.) Mas há com certeza uma grande diferença entre uma telenovela e uma minissérie. Desde bem antes do roteiro propriamente: a diferença, essencial, começa no argumento, ou, como é comumente referido em TV, a sinopse. Uma boa história para novela não é apenas uma boa história. Tem de ser um enredo com potencial para estender-se, sem perder o interesse, por muitos capítulos. É também difícil explicar o que é isso em poucas palavras. Mas de modo geral se pode dizer (claro que pensando essencialmente na telenovela brasileira, tal qual ela é, concretamente) que tem de ser uma história de interesse bastante universal, capaz de atrair jovens, adultos, homens, mulheres, pessoas com mais ou menos recursos materiais, pessoas de cultura mais ampla ou mais limitada. Tem de se nutrir de situações que "rendam". Isto é, que não se esgotem muito rapidamente. Por isso, por exemplo, é tão difícil (embora possível) fazer novelas de suspense. Muitas, talvez quase todas, tenham situações de suspense muito importantes. Poucas são essencialmente apoiadas nessas situações. Porque o suspense pede resolução mais rápida do que o tempo de uma novela. Claro que o Sílvio de Abreu, entre outros, fez isso com enorme sucesso em A Próxima Vítima. A Janete Clair já havia feito em novelas suas. Mas é difícil à beça. Como regra, a novela se alimenta basicamente de situações, digamos assim, de resolução prolongada. Grandes dilemas dramáticos, trajetórias acidentadas e difíceis de personagens, armações de comédia "enganchadas" em situações semi-permanentes, coisas assim.

Uma minissérie pode ser bem mais compacta. Na origem (como o nome indica) as minisséries eram compostas de pequenas histórias completas em cada episódio, sempre em torno de uma mesma situação básica. Quer dizer: um pequeno seriado, ou uma minissérie. Minisséries funcionavam, aliás, freqüentemente, como "pilotos" de futuros seriados. Tal como são feitas hoje, elas se assemelham mais a "mini-novelas", com uma história continuada, mais dividida em capítulos, mesmo, do que em episódios completos. Mas, ainda assim, pelos motivos acima, os respectivos argumentos e roteiros são bem diferentes. Na minissérie o ritmo é em geral mais nervoso, acelerado; o ideal é sentir-se sempre que a história caminha rápida para o desfecho. Na novela há mais desenvolvimento de situações, exploração de conflitos já plantados, o telespectador vai-se acostumando a conviver com aqueles personagens e ambientes por algum tempo, antes de se perguntar mais ansiosamente como é que eles vão acabar, afinal, ou o que é que vai acontecer com eles...

É uma explicação bem tosca, simplificada. Mesmo assim, já saiu do tamanho com que saiu, imaginem se fosse mais profunda....

"A Globo não é, não, a única esperança
pra quem quer escrever teledramaturgia.
[...] Mas, não vou enganar ninguém:
não acho fácil entrar para a Globo."


ROL - Vc faz outros trabalhos, como cinema, por exemplo? Vc trabalhou junto à extinta Embrafilme de 1985 a 1987. Como era seu trabalho por lá?
SM - Nunca fiz cinema, não. Infelizmente. Bem que gostaria, espero ainda fazer. Nunca fiz porque a época em que comecei a escrever roteiros profissionalmente com maior intensidade (e com mais segurança, também), final dos anos 80 e início dos 90, não foi das melhores para o cinema brasileiro. A produção de filmes nacionais, que tinha chegado a ser bastante expressiva, no início dos 90 caiu quase a zero. Tanto que quando esse período mais negro foi superado o subseqüente foi chamado de.... a retomada. Como tenho, desde pelo menos 1996, um contrato de exclusividade com a TV Globo, inclusive para elaboração de roteiros para cinema, fiz o que pude, que foi fazer chegar à direção da Globofilmes meu interesse pessoal em ser incluído (com a concordância da TV Globo, claro) nos planos de criação de roteiros de cinema. Até o momento ainda não houve oportunidade. No período em que colaborei com a Embrafilme, fiz parte da Comissão de Avaliação e Seleção de Projetos, e o meu trabalho era muito parecido com o que tinha feito para a TV Globo como analista de textos: lia argumentos e sobretudo roteiros de filmes para os quais se solicitavam financiamentos, e elaborava um parecer. Para mim, foi extremamente rico e, até, formador; naquele período, acho que posso dizer que fiquei com uma visão muito ampla do que era a produção de textos cinematográficos no país naquele momento.
ROL - Em termos de livros de roteiro e autores, quais os que vc indicaria para quem pretende ser roteirista de telenovela e minisséries?
SM - O livro já clássico no gênero, no Brasil, é o do Doc Comparato, várias vezes reeditado, e que pode ser encontrado sob o título "Roteiro", ou "Da Criação ao Roteiro". É sempre melhor comprar a edição mais recente, já que, a cada uma, o Doc acrescenta alguma coisa, desenvolve algum tema, revisa. Há também o livro, muito bom, do Luís Carlos Maciel, sobre o clímax no roteiro. Do ponto de vista técnico, livros de autores como Syd Field são quase inevitáveis de citar e com certeza transmitem conhecimentos úteis, embora eu pessoalmente prefira os brasileiros: Syd Field & cia. escrevem muito para e sobre cinema, e tendem a um "receituário" que - repito, pessoalmente - não me entusiasma. Mas o que acho bom mesmo para quem quer escrever para TV, embora difícil de conseguir, é ler.... roteiros de TV. Conseguir junto à TV Globo, a alguém que conheça de lá. Ou em sites como o seu, o do Fernando Marés de Souza ou outros que de vez em quando publicam roteiros. E ler muitos roteiros, os que puder. Dos melhores autores que puder: Gilberto, Sílvio, Lauro, Aguinaldo, Glória, Manoel Carlos, Benedito, Calmon, Lombardi, Negrão, Euclydes, Walcyr, Maria Adelaide, Alcides, Ana Moretzsohn, tantos outros. Eu, pelo menos, o que sei aprendi assim. E, claro, depois, trabalhando.
ROL - O anteprojeto de criação da Ancinav vem recebendo críticas atrozes. Como membro da diretoria da ARTV (Associação Brasileira de Roteiristas Profissionais), qual a posição da associação sobre o assunto? No que os roteiristas podem ser beneficiados com a criação da agência? Se os pontos que os representantes de emissoras de tv estão pressionando para retirar do projeto, ou seja, se o artigo que prevê percentuais para veiculação de produção nacional e o artigo que visa fomentar o apoio à produção independente forem retirados do projeto, nossa categoria não permanece desprotegida sem a regulamentação do mercado audiovisual?
SM - Uma pequena correção: no momento, sou membro do conselho consultivo, não da diretoria executiva da ARTV. Mas a posição da associação foi aprovada em sua última assembléia geral. Essencialmente, a ARTV apóia a criação da ANCINAV, reservando-se para criticar, e para propor acréscimos ou supressões em pontos específicos do projeto do governo. Sobretudo, considera imprescindível a regulamentação, dentro da lei de criação da ANCINAV, da chamada QUOTA DE TELA - a obrigatoriedade de exibição de dramaturgia nacional inédita pelas redes de TV abertas ao público. E, sim: em minha opinião, se forem suprimidos os dispositivos de estímulo à veiculação da produção nacional e da produção independente, não só os roteiristas, mas também os artistas e técnicos em geral perderão muito, talvez o essencial, do que a lei lhes poderia assegurar em termos de estabilidade, de dignidade profissional e de expansão do mercado de trabalho.
ROL - O mercado para o roteirista mudou desde que vc começou a trabalhar? O que mudou?
SM - Penso que mudou - às vezes para melhor, às vezes para pior. A importância do roteirista, de modo geral, acho que se tornou mais reconhecida. A disseminação - claro que não só, nem principalmente, no Brasil, mas no mundo - das idéias (em geral simplificadas e simplificadoras) de "reengenharia", de "downsizing" e similares, levou muitas empresas (entre elas, claro, as de comunicação, que são empresas como as outras) a adotar, com freqüência, políticas grosseiras de redução de pessoal e de compressão de custos de qualquer maneira, em detrimento da qualidade e da quantidade do produto, achando que estavam sendo "eficientes". A médio prazo, não tenho dúvida de que a ingenuidade dessa escolha ficará evidente, à medida em que as empresas que continuarem investindo na qualidade e no aumento da sua produção se distanciarem cada vez mais da concorrência. Mas, de imediato, efeitos desastrosos já foram produzidos. Há um número absurdo de roteiristas da melhor qualidade desempregados, sem trabalho - num país cujo potencial para a produção de cinema e de TV nem precisa ser lembrado. Apesar disso, sou otimista: acho que é um percalço de fôlego curto e, como disse acima, quem entender primeiro que o caminho fértil é o da melhoria continuada do produto audiovisual que gera vai sair na frente, e os demais virão atrás.
ROL - Por último, Sérgio, recebo e-mails do país todo através do meu site e uma pergunta que é recorrente nos interessados em escrever teledramaturgia é a seguinte: como entrar pra Globo? Quando ocorrem as tão esperadas ofcinas da Globo? Como os interessados podem ficar sabendo quando elas ocorrem? A Globo é mesmo a única esperança pra quem quer escrever teledramaturgia?
SM - Começando pelo fim: a Globo não é, não, a única esperança pra quem quer escrever teledramaturgia. Até porque ela não pode absorver todas as pessoas que têm talento e vontade de escrever pra TV. Mas é, com certeza, o mercado mais amplo a oferecer alguma estabilidade a quem quer viver disso. Por isso mesmo, não vou enganar ninguém: não acho fácil entrar para a Globo. Parece que o melhor caminho são mesmo as oficinas. Elas, entretanto, pelo que sei, não têm uma periodicidade fixa regular, embora tendam a acontecer, acho, mais ou menos duas vezes por ano. Às vezes (é o mais freqüente), são abertas a todos os interessados, e neste caso são amplamente divulgadas pelos jornais; é só ficar atento. A última, contudo, foi restrita a um universo de indicações prévias por autores ou outros profissionais da Globo, que já tivessem tido algum tipo de experiência com o candidato indicado. Paciência: parece-me que é uma legítima prerrogativa da empresa investir em quem ela julga que tem razões para considerar com mais chances de propiciar retorno ao seu investimento (quer dizer: selecionar para suas oficinas de formação pessoas das quais tem alguma referência). São portas estreitas, eu sei; mas na verdade refletem a exigüidade real do próprio mercado de trabalho (a quota de tela, objeto da resposta à pergunta 10, tenta exatamente ampliar esse mercado). E há uma outra maneira de ver. Se você quer ser escritor(a), se você julga que tem talento... escreva. Vá muito ao teatro, ao cinema; se quer escrever para TV... veja muita TV (teledramaturgia, especificamente). E tente escrever. Procure um bom curso de roteiro (há, de vez em quando, um: do próprio Doc Comparato, citado antes; do Lauro César Muniz; do Luís Carlos Maciel; do Alberto Salvá; do Joaquim Assis; da Denise Bandeira; Antônio Carlos Fontoura). Todos esses e muitos outros são muito bons, dados por profissionais experientes, sérios, competentes. Fácil, não é. Mas é o que me ocorre que se pode fazer para tentar abrir o próprio caminho num mercado tão difícil. Com uma última observação: só tente se você quiser mesmo, e muito, ser um escritor profissional; se isso significar uma coisa realmente importante para você. A ilusão de um nirvana acampado na TV Globo à espera de um golpe de sorte que bafeje algum privilegiado é só isso mesmo - ilusão. É duro, é difícil, é até improvável chegar lá; mas é possível. E, ainda assim, só vale a pena se você gostar muito de fazer isso. Porque, na hora em que entrar na TV Globo, ou em outro local onde possa atuar profissionalmente como escritor, como roteirista (sem ganhar no início nenhuma fortuna, ao contrário)... a ralação está só começando, não tenha dúvida disso.


Sobre Sérgio Marques:

Autor-roteirista da TV GLOBO desde 1984 (inicialmente, analista de texto, após 1988 roteirista em tempo integral). Membro da Casa de Criação Janete Clair entre 1985 e 1987. Membro da Comissão de Seleção de Projetos da EMBRAFILME entre 1985 e 1987.
Na TV GLOBO, co-autor dos seguintes principais programas:
  • 1985-86: remake de SELVA DE PEDRA, de Janete Clair, com Regina Braga e Eloy Araújo;
  • 1988: MANDALA, de Dias Gomes, colaboração com Marcílio Moraes;
  • 1989: PACTO DE SANGUE, com Regina Braga;
  • 1991: SALOMÉ, com Marcia Prates e Elizabeth Jhin;
  • 1991-92: O DONO DO MUNDO, com Gilberto Braga e outros;
  • 1992: ANOS REBELDES, com Gilberto Braga (minissérie);
  • 1993: CONTOS DE VERÃO, minissérie de Domingos de Oliveira, roteiro final, com Roberto Farias;
  • 1994-95: PÁTRIA MINHA, com Gilberto Braga e outros;
  • 1997: episódios de A JUSTICEIRA, seriado;
  • 1998: LABIRINTO, minissérie, com Gilberto Braga e Leonor Bassères;
  • 1999-2000: FORÇA DE UM DESEJO, com Gilberto Braga e outros;
  • 2003-2004: CELEBRIDADE, com Gilberto Braga e outros.

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