Opinião
1o.ENCONTRO INTERNACIONAL DE TELEVISÃO
"Puxa! Eu gostaria de ter assistido isso tudo que eu falei. Você escrevendo me
pareceu uma pintura de Caravaggio, sem a tristeza melodramática e sem virgem
morta... Obrigado, Denise. A bondade é uma tentação irresistível (isso é do Brecht)
e você não resistiu comigo. Este velho de setenta anos, sabe um pouco do labirinto
que colocam em nossas cabeças com a televisão, para os slogans políticos vazios.
O trivial digital escraviza mesmo, querem ser justos injustamente ou justamente
injustos, sem saber que a justiça pertence ao berço e o julgamento pertence a
tumba. Escrevi para beijá-la, agradecer e se divertir. Nós somos os espaços onde
estão os outros." (Antonio Abujamra, 16/10/2001)
"Vi seu site. Está legal e você fez um
bom resumo dos participantes do Encontro de TV". (Lauro César Muniz, 16/10/2001)
"Seu site está ótimo! Estou terminando um estudo sobre a
ANCINE e o estou indicando como referência." (Deborah Sztajnberg, 15/10/2001)
"Parabéns à Denise pelo excelente resumo que fez em seu site." (Marcos
Manhães Marins - Diretor do site Cinema Brazil on Internet!)
Os gentis depoimentos acima recebi após colocar neste
site, em 14 de outubro, o resumo do histórico 1o. Encontro Internacional de Televisão,
do qual participei no período de 3 a 5 de outubro de 2001, no Hotel Glória, no Rio de Janeiro.
Eles me servem como alento e estímulo para prosseguir em frente.
Organizado pelo Instituto de Estudos de Televisão, cujo diretor é Nelson
Hoineff, o eclético evento contou com 24 palestrantes e colocou lado a lado figuras como Ratinho, Boris Casoy,
Soninha, Cazé Peçanha, estudiosos e críticos, representantes do governo e de
emissoras de televisão, e mestres como Lauro César Muniz, Antonio Abujamra e
Régis Cardoso.
Esse caldeirão teve por objetivo propiciar, tanto a participantes quanto a
debatedores, a reflexão sobre os rumos da TV principalmente no tocante à entrada do
capital estrangeiro nesse veículo. Ficou nítida a preocupação dos integrantes das
mesas com a entrada do capital estrangeiro e com a necessidade de se fazer uma
reserva de mercado para produtos televisivos nacionais. Lauro César Muniz, dramaturgo e
roteirista, autor de inúmeras telenovelas de sucesso, mostrou-se contrário a essa liberalização. Por outro lado, Rogério Brandão,
diretor de programação da DirecTV, é favorável e disse acreditar que essa abertura trará uma
renovação ao mercado nacional, ampliando as oportunidades e dando chance aos novos
que querem trabalhar na área e não conseguem espaço nesse mercado. Salientou, também,
que os americanos já fizeram pesquisas para conhecer as preferências do telespectador
brasileiro e, portanto, sabem que é preciso produzir programas que tenham a cara do Brasil.
De qualquer forma, no transcorrer do encontro se concluiu que é inevitável a entrada
do capital estrangeiro. Na tentativa de defender o mercado nacional, está sendo
proposta a inclusão de mecanismos de reserva de mercado na nova legislação para as
telecomunicações que está sendo encaminhada para discussão no Congresso Nacional.
Diversos outros temas paralelos foram levantados, mas o tocante à qualidade de
conteúdo foi um dos mais calorosos, literalmente. Na mesa "Roupa Suja se Lava na TV",
os ânimos se exaltaram não poucas vezes entre Cazé Peçanha, apresentador da Globo
e ex-MTV, e o apresentador Ratinho, do SBT. Soninha, apesar de iniciar o debate com
colocações bastante sensatas, algumas vezes não resistiu e deu, também, suas cutucadas
em Ratinho. Mas, sem dúvida alguma, ele soube se sair muito bem, e deu seu show, como
comunicador nato que é, fazendo com que o público presente se colocasse a seu lado e
com que Cazé se parecesse nada mais do que um garotinho enciumado.
No tocante a mecanismos de controle de conteúdo e programação, Regina de Assis, Presidente da MultiRio,
falou da necessidade de filtros quando se trata de programação para crianças, adolescentes e
jovens. Nesse sentido, foi levantada a questão da necessidade, sim, de mecanismos de controle não
só estatais, mas também domésticos e familiares.
A Secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Helena Severo,
na abertura do evento, colocou um elemento muito importante: o de que a TV ainda é vista
preconceituosamente por diversas outras esferas do cenário cultural como uma arte menor, o que, segundo
ela, carece de fundamentação.
Em suma, o encontro conseguiu ir além da discussão sobre a entrada do
capital estrangeiro e propiciou uma visão multifacetada da televisão, que foi avaliada sob
diversos ângulos: do ângulo de quem faz, da TV como negócio, sob suas implicações
sociais, educacionais e políticas, de seus conteúdos. Essa diversidade de temas
gerou discussões muito ricas e profundas sobre o pensar e fazer televisão no Brasil.
Apesar de algumas substituições e ausências sentidas, como a de Daniel Filho e dos americanos,
Chris Cramer, presidente da CNN Internacional, e Ron Simon, diretor do Museu de Televisão de
Nova York, o final do encontro deixou a vontade que ele se repita a cada ano, com
mais pessoas do meio, tanto debatedores como participantes.
Denise Camillo Duarte
ROTEIROS ON LINE
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