TVez
Capítulo 9
Minhas novelas favoritas

Por Leila Míccolis*

(08/01/2004)


Curso Básico e Intensivo On-Line de Roteiro de Novela de Televisão - Teoria e Prática
c/ Leila Míccolis


Nos últimos dias de 2003, descobri pela Internet uma pesquisa feita em 2001 pela revista Época, listando as 110 novelas preferidas na opinião de um júri composto de 50 artistas, críticos, escritores, jornalistas e profissionais da área de televisão. Fiquei surpresa e feliz em ver entre elas Kananga do Japão, que escrevi com Wilson Aguiar Filho para a Manchete, em 1989 - a idéia original era do Bloch, e a primeira sinopse de Carlos Heitor Cony. Resolvi então listar as 20 novelas que mais me marcaram, me acrescentaram, me interessaram, em termos teledramatúrgicos.
Apesar de Manuel Carlos ser o escritor cujo estilo mais me agrade atualmente (lembra-me Tchekov no teatro, avançando na trama através de conversas aparentemente coloquiais, mas nem um pouco gratuitas), quem no final, acabou "ganhando" minha preferência, para meu espanto, pois não tinha consciência de gostar tanto dele assim, foi Gilberto Braga (hoje, celebridade inova... falarei dela futuramente). Houve muitos empates... e algumas omissões de novelas interessantes da década de 70 (aliás 70 e 80 foram, na minha opinião, os anos das melhores novelas do final de século): Pigmalião 70 (de Vicente Sesso, 1970), O Espigão (Dias Gomes, 74), Gabriela Cravo e Canela (Walter George Durst, 1975), Senhora (Gilberto Braga, 1975), Anjo Mau (Cassiano Gabus Mendes, 1976), Feijão Maravilha (Bráulio Pedroso, 1979). Mais recentemente: Torre de Babel (Sílvio de Abreu, Bosco Brasil e Alcides Nogueira, 98), O cravo e a rosa (Walcyr Carrasco, Mario Teixeira e Duca Rachid, 2001) e O Beijo do Vampiro (Antonio Calmon, Álvaro Ramos, Eliane Garcia, Lílian Garcia, Maria Helena Nascimento e Mauro Wilson, 2002).
  • 1 - Eu compro esta mulher - Glória Magadan, 1966
  • 2 - O Sheik de Agadir - Glória Magadan, 1966
  • 3 - Beto Rockfeller - Bráulio Pedroso, 1968
  • 4 - O bem amado - Dias Gomes, 1973
  • 5 - Pecado Capital - Janete Clair, 1975
  • 6 - O Rebu - Bráulio Pedroso, 1975
  • 7 - Saramandaia - Dias Gomes, 1976
  • 8 - D. Xepa - Gilberto Braga, 1977
  • 9 - Estúpido Cupido - Mário Prata, 1977
  • 10 - A Sucessora - Manuel Carlos, 1978
  • 11 - Dancing Days - Gilberto Braga, 1978
  • 12 - Guerra dos Sexos - Sylvio Abreu e Carlos Lombardi, 1983
  • 13 - Vale tudo - Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, 1988
  • 14 - Que rei sou eu? - Cassiano Gabus Mendes e Luiz Carlos Fusco, 1989
  • 15 - Meu bem, meu mal - Cassiano Gabus Mendes, Maria Adelaide Amaral, Dejair Cardoso e Luis Carlos Fusco, 1990
  • 16 - Felicidade - Manoel Carlos, 1992
  • 17 - Vamp - Antonio Calmon, Vinícius Vianna, Lilian Garcia e Tiago Santiago,1992
  • 18 - Renascer - Benedito Rui Barbosa, 1993
  • 19 - A próxima vítima - Sílvio de Abreu, Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, 1995
  • 20 - A Indomada - Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, 1997
Eis a minha relação, faça a sua também.
E-mail desta quinzena: Sandro Giraldi, Rio/RJ
  • Se há mais autores do que horário de novelas, como você mesma diz, ou seja, se há tanto escritor vivo com bons trabalhos, sem oportunidade de aparecer, por quê adaptar livros de romance de autores já consagrados, em geral falecidos, para a TV?

  • LM - Creio que são duas coisas diferentes: o problema do mercado de trabalho e o das novelas de época, que podem ser escritas por qualquer autor - experientes ou novatos -, sem qualquer prejuízo para estes últimos; inclusive, adaptar romances é, de certa forma, até um bom "treino" prático para os novos escritores, uma vez que dá menos insegurança eles recontarem uma história cuja trama já foi escrita e bem aceita pelo público, do que apresentar uma outra sua, totalmente inédita. Divulgar nossos "clássicos" é também incentivar nossa literatura, até porque uma obra que aparece em novela passa a vender muito mais vendida nas livrarias, além de ser apresentada a um público muito maior, que não sabe ler ou não tem o hábito da leitura, e que pode passar a ter mais interesse em livros, através das novelas... Há ainda um outro motivo interessante para a adaptação de romances, crônicas ou contos para a televisão: a análise comparativa entre os costumes de determinada época com a nossa atual, quando percebemos que a mentalidade pouco mudou em termos de emoções e sentimentos, nos últimos séculos. Quanto ao mercado, as adaptações também ajudam a estréia dos novos autores: para uma emissora é menos arriscado produzir uma obra com o respaldado de um grande nome, uma vez que em um livro consagrado já vem acoplada uma pesquisa de opinião pública... Muitos autores de sucesso da Globo começaram fazendo adaptações de autores famosos estrangeiros como Alexandre Dumas, Nikolai Gogol, Daphne du Maurier, Michel Zevaco, Bernard Shaw, ou nacionais: Joaquim Manuel de Macedo, Machado de Assis, José Alencar, Martins Penna, Jorge de Andrade, Érico Veríssimo, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Rachel de Queiroz, entre tantos outros. Por tudo isto, creio que a pergunta não deveria ser por quê sim, mas, ao contrário, por quê não?

Cenas da próxima crônica, na 2ª quinzena de janeiro:
Cap 10: Inovações em novelas

(*) Poeta, escritora de cinema, teatro e TV ("Pais Problemas", "Rainha da Vida", "Olho por Olho", "Kananga do Japão", "Barriga de Aluguel", "74.5" (versão internacional), "Mandacaru", entre outros, ex-roteirista da Rede Globo e da TV Manchete.
E-mail: miccolis@zaz.com.br
Home page: http://www.blocosonline.com.br/sitespes/lm/index.htm
Site de sua editora Blocos: http://www.blocosonline.com.br

ROTEIROS ON LINE
http://www.roteirosonline.com.br
contatos@roteirosonline.com.br
Copyright © 2001/2006 by Denise Camillo Duarte