(21/11/2004)
"O roteirista empresarial é uma pessoa especializada
em comunicação
e o seu trabalho contribui para gerar negócios
e,
conseqüentemente, empregos."
ROTEIROS ON LINE - Eve e Xaxá. Depois de ler o livro de vocês, me
sinto na maior intimidade com os dois. Afinal, acima de tudo, vocês são
muito bem-humorados. E tocam em pontos que quase todos os roteiristas,
principalmente os da área institucional, vivenciam em seu dia-a-dia.
Gostaria, então, de começar essa entrevista falando justamente sobre
este livro, que vocês lançaram em 2004 pela editora Zennex Publishing,
"Entregando o Ouro para os Mocinhos: O Roteiro Audiovisual na
Comunicação das Empresas". Como surgiu a idéia de escrever o livro? Dá
pra falar, em linhas gerais, sobre a obra? Existe algum outro livro
publicado no Brasil que aborde o tema?
- ROL - Como surgiu a idéia de escrever o livro?
EVE/XAXÁ - A idéia de escrever um livro era antiga, mas, sempre que pensávamos
em começar, éramos contratados para algum trabalho e deixavámos o
projeto de lado, ou seja, não estávamos totalmente determinados a
desenvolver o livro.
Em uma de nossas reuniões para realizarmos um outro trabalho,
conversando com um editor, ele nos motivou muito a escrever um livro,
enfatizando a importância de se ter uma obra publicada, como meio de
abrir novas oportunidades de trabalho e, principalmente por acreditar
que não havia nada sobre o assunto nas livrarias. Logo após essa
conversa, fizemos um trabalho de ghostwriter e, a partir disso, nos
entusiasmamos e começamos a escrever o nosso livro sobre roteiro
audiovisual.
- ROL - Dá pra falar, em linhas gerais, sobre a obra?
EVE/XAXÁ - Em linhas gerais, o nosso livro relata a nossa experiência
como roteiristas empresariais e apresenta técnicas e orientações sobre
como escrever um programa audiovisual empresarial, como interpretar um
briiefing, os cuidados que devem ser observados quanto a linguagem, a
indicação de imagens e a formatação de roteiros, traz exemplos de tipos
de roteiros específicos para as empresas, enfim, apresenta a
comunicação empresarial como uma alternativa para a mão-de-obra
qualificada em comunicação no mercado de trabalho. Ele foi escrito como
se estivéssemos batendo um papo, com uma linguagem leve, didática e
bem-humorada. Acreditamos que a nossa obra seja um ótimo suporte, bem
como uma referência para orientar professores e alunos da área de
Publicidade, Relações Publicas, Rádio e TV, Marketing, Jornalismo,
entre outros, que poderão, como futuros profissionais, atuar com
empresas.
- ROL - Existe algum outro livro publicado no Brasil que aborde o
tema?
EVE/XAXÁ - Pode ser que sim, mas nós pesquisamos e não encontramos
nenhuma literatura no mercado que trate especificamente desse assunto.
Isso porque acreditamos que comunicação empresarial não dá Ibope entre
os comunicólogos em geral. Em sua maioria, as Universidades vendem para
os alunos o mercado publicitário e o cinematográfico. Isso faz com que
os novos comunicadores saiam para o mercado de trabalho sem saber
enxergar as possibilidades empresariais, ou seja, o endomarketing. A
formação dos mestres das Universidades, também em sua maioria, vem
das agências de publicidade ou do cinema, ou seja, os professores não
têm grande intimidade com as comunicação interna das empresas. Entre os
alunos e professores, a comunicação empresarial é considerada algo sem
charme, que não dá status profissional, enfim, que não dá Ibope. Por
isso, as referências bibliográficas são praticamente nulas, antes do
nosso livro, é claro.
ROL - Muitas pessoas que visitam meu site me perguntam sobre
roteiro institucional. Na visão de vocês, o que é roteiro
institucional?
EVE/XAXÁ - É um erro generalizar todo programa audiovisual
empresarial como institucional. Roteiro institucional é um dos tipos de
roteiro utilizados para a comunicação empresarial. Entre os roteiros
que podem ser desenvolvidos para as empresas existem os do tipo:
motivacional, de treinamento, de integração, de apresentação e
lançamento de produto, promocional, etc. O roteirista empresarial é uma
pessoa especializada em comunicação e o seu trabalho contribui para
gerar negócios e, consequentemente, empregos. O roteiro do tipo
institucional serve para mostrar o que é a empresa, sua missão, visão,
infra-estrutura, tecnologia, etc. É uma apresentação da empresa para os
seus clientes, tipo o link “quem somos” encontrado em sites, aliás
texto que também pode ser escrito por um roteirista empresarial.
ROL - Como é o formato de um roteiro desse tipo?
EVE/XAXÁ - O formato de um roteiro institucional é como o qualquer
outro tipo de roteiro empresarial. No papel pode ser visto em duas
colunas, uma indicando as imagens e outra indicando o áudio. Em nosso
livro, colocamos alguns exemplos de vários tipos de roteiro, inclusive
especificamos o objetivo e o conteúdo de cada tipo de roteiro.
"O roteirista não pode se limitar
a apenas
escrever roteiros para vídeos.
Há a tendência multimídia."
ROL - Que tamanho costuma ter um roteiro institucional?
EVE/XAXÁ - É variável. Mas não pode ser longo. A duração do
programa institucional é de 5 a 8 minutos, pois a empresa que está
sendo mostrada deve levar em consideração o tempo disponível de seu
cliente para conhecê-la. Entre os vários tipos de roteiros empresariais,
somente o de treinamento é que pode ter duração mais longa.
ROL - Li no livro de vocês o caso de um cliente que queria trocar
uma palavra de um poema de Drummond em um roteiro. Ri muito. Que
conselho vocês dariam para o roteirista que precisa lidar com o,
digamos assim, "desconhecimento" por parte do cliente ou chefe de
detalhes importantes na confecção e produção de um roteiro? Aliás, que
virtudes e qualidades o roteirista precisa ter para sobreviver nesse
habitat, às vezes um tanto adverso?
EVE/XAXÁ - Ser politicamente correto é sempre uma boa solução. E
ser bem-humorado também. Não é prudente e nem educado, ao perceber o
desconhecimento do cliente, explicitar com todas as letras a sua
ignorância. Fazer uma brincadeira, como a que foi feita e descrita em
nosso livro, é uma maneira de quebrar o gelo e tornar uma reunião mais
leve. Afinal, o roteirista deve expressar a sua criatividade, sem ser
agressivo ou irônico, também durante as conversas paralelas. Lembrando
que, criatividade é um exercício que se faz sobre informações e
referências, ou seja, quem não tem o hábito da leitura, não está
disposto a ouvir e observar tudo que acontece a sua volta, não tem
elementos para se tornar criativo, para recriar a realidade.
ROL - Como é o mercado de roteiro institucional? Tem muita
concorrência? Dá pro roteirista viver de roteiro institucional?
EVE/XAXÁ - O mercado de programas audiovisuais empresariais foi
sendo formado nos últimos 20 anos. Atualmente, as grandes empresas,
pelo menos, já possuem uma cultura para programas audiovisuais. Já
sabem da sua importância para o endomarketing. Isso torna mais fácil
para a nova geração de comunicadores ir em busca de trabalho. Algumas
empresas já possuem, em seu Departamento de Comunicação, uma pessoa
dedicada ao endomarketing. Essa pessoa, além de se ocupar em escrever
para a empresa, costuma contratar as produtoras para executar seus
projetos. Há muita concorrência, porém o talento do profissional é que
vai determinar se a sua sobrevivência será apenas escrevendo roteiros
ou não.
"Entre os alunos e professores, a comunicação
empresarial
é considerada algo sem charme, que não dá status
profissional,
enfim, que não dá Ibope."
ROL - Existe um preço médio estipulado para roteiro institucional?
É por minuto ou por trabalho? O roteirista recebe somente após o
roteiro ser produzido ou deve estabelecer em contrato que receberá após
o término do roteiro, seja ele produzido ou não?
EVE/XAXÁ - O preço de um roteiro empresarial varia de acordo com o
projeto de comunicação. Em média, um roteiro institucional de 5 minutos,
em São Paulo, fica entre 1.200 a 2.000 reais. Depende da dificuldade,
em termos das informações. Para alguns roteiros, é feito um contrato,
depende da empresa. Geralmente existe apenas um pedido de serviço. O
pagamento é combinado, caso a caso. Na maioria das vezes o roteirista
recebe 30 dias após a entrega do trabalho, algumas vezes, 50% ao ser
contratado.
ROL - Qual a área de formação de vocês e como entraram nessa?
EVE/XAXÁ - Eu, Eve, sou jornalista e o Xaxá é publicitário. O nosso
currículo consta na orelha do nosso livro.
ROL - Dá pra vocês falarem um pouco da experiência profissional de
cada um com roteiro institucional?
EVE/XAXÁ - Durante os quase 20 anos de trabalho, já fizemos por
volta de 1.000 roteiros dos mais diversos tipos e temas. Um pouco dessa
experiência está relatada em nosso livro. Apesar de ser um trabalho
desgastante, pois na maioria das vezes o cliente não sabe exatamente o
que quer, é gratificante, em termos de satisfação pessoal. Cada roteiro
é um novo desafio, mesmo após quase 20 anos de experiência. A experiência
colabora para que o trabalho flua um pouco mais rapidamente, apenas
isso. Continuamos matando um leão a cada dia e buscando encontrar pêlo
em ovo. Às vezes ficamos duas horas para resolver um simples parágrafo.
ROL - A parceria de vocês deu super certo, né? Há quanto tempo
trabalham juntos? Como dividem o trabalho? Quem faz o quê? Vocês
brigam? Qual o segredo pra estabelecer e, principalmente, manter uma
parceria em roteiro como a de vocês?
EVE/XAXÁ - Nós não brigamos, nós discutimos idéias. Às vezes um
acha que deve ser “bonito” e o outro “lindo”. Ai discutimos o conceito.
Trabalhamos e criamos juntos há aproximadamente 15 anos. Isso nos dá
maior disciplina. O segredo, como em qualquer relacionamento, é
paciência um com o outro, além de ouvir e analisar as idéias de cada um.
A partir das informações do cliente, vamos desenvolvendo os argumentos.
ROL - Vocês "só" trabalham com roteiro institucional? Têm projetos
para cinema ou televisão?
EVE/XAXÁ - Projetos, quem não tem? A realização esbarra em uma
série de fatores, como patrocínio, etc. O projeto do nosso livro ficou
uns dois anos engavetado e saiu. Logo, tudo é possível.
ROL - Quais as maiores frustrações e alegrias do roteirista no
setor institucional?
EVE/XAXÁ - Entre as frustrações está aquela em que, você ficou
horas elaborando um projeto para que o programa audiovisual não tivesse
a mesma cara que outros tantos mil que estão por ai e, o cliente, ao
ler o roteiro, diz que preferia que fosse igual aquele que ele viu
(que fazia parte do lote de tantos mil). Entre as alegrias, está o
reconhecimento de que conseguimos transmitir a mensagem superando as
expectativas e também, podemos citar, quando o cliente paga no dia
prometido, por exemplo.
ROL - Ficou faltando alguma pergunta?
EVE/XAXÁ - Sobre o roteirista empresarial, é importante citar que
existe uma tendência. O roteirista não pode se limitar a apenas
escrever roteiros para vídeos. Há a tendência multimídia. É importante
que o profissional saiba desenvolver trabalhos em outros meios que
fazem parte de um projeto de comunicação interna. Nesses projetos,
atualmente, o vídeo quase sempre está presente mas é apenas uma peça
entre outras.
CARLOS XAVIER: publicitário, redator e roteirista, foi professor de
Redação Publicitária e Criação na ESPM/SP e Universidade Anhembi Morumbi.
EVELEINE ZUPARDO: redatora e roteirista, jornalista formada pela ECA/
USP, onde cursou também Teatro Aplicado à Educação.
Contatos com os roteiristas e pedidos do livro "Entregando o Ouro
Para os Mocinhos: O Roteiro Audiovisual na Comunicação das Empresas":
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ROTEIROS ON LINE
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Copyright © 2001 Denise Camillo Duarte