"A responsabilidade da TV está atrás da grade - está aprisionada pelo modelo comercial
que impera no meio em nosso país", finaliza.
volta
2. Regina de Assis - A TV para crianças, adolescentes
e jovens
A Presidente da MultiRio falou da TV para crianças, adolescentes e jovens
(até 21 anos) e da necessidade de controle, tanto estatal quanto doméstico, sobre os
conteúdos para esse público, que é o maior consumidor de produtos televisivos,
tanto em canal aberto quanto fechado. Disse, também, que esse público passa cerca
de 5 horas diárias em frente a TV sem um adulto por perto. Falou da erotização na
TV e do índice altíssimo de gravidez entre adolescentes.
Durante o debate, esclareceu o que é a MultiRio - Seu início foi em 1995 como
um braço direto da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Walter
Clark foi o primeiro Presidente da MultiRio. A empresa, sem fins lucrativos,
é produtora, distribuidora de produtos para outras Secretarias e pode vender para canais privados.
Seus programas vão ao ar pela Band (de 7:00/8:00h da manhã e de 14:00/15:00h)
e pelo Canal 3, da Net (de 7:30 a 11:30h da manhã). Há previsão de expansão de
exibição em horários de fim de semana e a noite em outro canal aberto, porque a MultiRio
participa de uma licitação nesse sentido, no momento. Há também um portal na
Internet.
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3. Rogério Brandão: "O papel da TV é informar e entreter com inteligência".
O Diretor de Programação da DirecTV centrou sua análise sobre três pontos:
modelo, grade e conceito.
- Modelo - Segundo Brandão, modelo se refere ao tipo de produto que se vai colocar no
ar e para que público (estudos sobre concorrência, horário, o papel da censura e
da responsabilidade da emissora).
- Grade - Refere-se a como será montada a grade, quais modelos se quer construir.
- Conceito:
- mix - modelo de linguagem a ser usado;
- jornalismo - local ou a vivo, regional ou nacional, telejornal ou formato de revista ou
formato de debate;
- entretenimento - filmes, shows, etc.
Falou de seus trabalhos junto a TV Mix (na TV Gazeta), do Cine Trash (filmes
B com apresentação de Zé do Caixão, que foram transmitidos pela Band), do
Canal 21 (com matérias sobre trânsito, tempo e prestação de serviços), Canal 605
(canal de eventos com hora marcada para ocorrer, como shows). Outros temas levantados por
Brandão:
- A importância da criatividade em televisão - Salientou a necessidade
de liberdade para poder ousar e passou sua fórmula que alia programação à
criatividade e à técnica:
- Programação = técnica + criatividade
Para Brandão, o telespectador quer ser surpreendido e através desse elemento
se consegue fidelizar a audiência. Por isso, a importância da criatividade e da
inovação em televisão.
A flexibilidade deve privilegiar o telespectador - No seu entender,
a grade não deve aprisionar a programação, ou seja, no caso de cobertura ao vivo,
como ocorreu no caso do ataque aos EUA, ela deve, sim, se sobrepor à programação
normal. Isso porque o telespectador é o foco da programação.
Durante o debate disse enxergar com bons olhos a entrada do capital estrangeiro no
país, pois acredita que vá trazer renovação ao setor e abrir novas oportunidades.
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(Tarde do 2o. dia) - FICÇÃO E ESPETÁCULO
1. Lauro César Muniz: " O grande sucesso da telenovela
se deve a capacidade que ela tem de dialogar com seu público".
O grande mestre da dramaturgia brasileira, Lauro César Muniz, mostrou-se
bastante preocupado com a entrada do capital estrangeiro no mercado nacional.
Tanto que esta foi a tônica de sua palestra.
Inicialmente, divulgou a existência, desde o ano passado, da ARTV, Associação
dos Roteiristas de Televisão, Cinema e Outras Mídias, da qual faz parte, cuja luta básica
é o estabelecimento de uma cota de tela para exibição de teledramaturgia nacional,
no intuito de se preservar o mercado interno da invasão das multinacionais.
Sobre essa globalização e a possibilidade de união das Américas através
da ALCA, disse que "ainda estamos muito despreparados para competir com gigantes
como EUA e Canadá."
É frente a essa nova realidade que a ARTV buscou amparo legal para
tentar preservar a dramaturgia brasileira. As reivindicações dos roteiristas da
Associação foram levadas até o Ministro das Comunicações, que inseriu parte
delas no anteprojeto da nova lei das telecomunicações, que se encontra em discussão.
Essa luta pretende também preservar a nossa identidade cultural.
O dramaturgo e roteirista defendeu as telenovelas e afirmou que os sitcoms
não refletem a nossa realidade: "o grande sucesso da telenovela se deve a
capacidade que ela tem de dialogar com seu público, de falar a linguagem desse
público", disse ele.
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2. Régis Cardoso - A história viva da TV ao vivo
Outro grande mestre da TV, o diretor Régis Cardoso, contou como era a TV
ao vivo e um pouco de suas inúmeras experiências (porém, não pude gravar
sua palestra).
Em relação aos temas levantados, Régis, assim como Lauro César Muniz,
também mostrou-se preocupado com a entrada do capital estrangeiro e com o futuro da teledramaturgia
nacional. Durante os debates, também salientou a carência de bons roteiristas no
mercado.
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3. Del Rangel: "Uma programação popularesca, tendenciosa
e vazia de conteúdo expõe e enfraquece o negócio TV aberta."
Del Rangel, Diretor Artístico da Rede Record, assim como os palestrantes que o precederam, relatou sua preocupação
em relação a entrada do capital estrangeiro e disse que o momento é delicado e
perigoso para o setor nacional. Segundo ele, 40% do mercado investidor de publicidade
migrou, nos últimos anos, para outras mídias que não a TV. O negócio TV aberta
está se reduzindo, perdendo mercado.
Mas o foco de sua exposição foi a análise dos problemas que a TV, como
negócio, vem enfrentando nos últimos anos.
Com o êxodo do capital oriundo da publicidade, há uma inquietação entre os
dirigentes das emissoras, os quais, por sua vez, prestam contas a seus acionistas,
"já que a TV é um negócio como outro qualquer", disse Rangel. Essa fuga de capital afeta o
departamento financeiro e, conseqüentemente, o artístico das emissoras. A
solução apontada por elas passa a ser, então, aumentar a audiência.
Audiência maior significa maior faturamento. Conseqüentemente, passa-se a vender
espaço. O investidor compra espaço. Esse levantar a audiência passa a ser o
grande problema que a TV enfrenta hoje, porque, de acordo com essa estratégia, a
busca pela audiência passa a ser imediatista, quantificada e não qualificada.
Rangel esclarece que não necessariamente um produto que dá muita audiência
fatura muito. Geralmente ele é o carro-chefe da emissora.
Outro dado interessante trazido por Rangel: as classes A e B migraram
sensivelmente, nos últimos anos, a partir de um determinado horário noturno, para
a TV a cabo. O bolo da audiência em TV aberta fica, então, dividido entre os
públicos C, D e E.
Aí, vem a responsabilidade para os homens de TV, segundo sua opinião: a
leitura equivocada dos dados das pesquisas de audiência pode trazer um prejuízo
muito grande para esses veículos. "Uma programação popularesca, tendenciosa e vazia de conteúdo, expõe
e enfraquece o negócio TV aberta", complementa. Logo que um programa desse tipo atinge um
nível de audiência significativa, a concorrência corre atrás e começa um nivelamento
por baixo. "Isso porque a busca de resultado é feita de uma maneira imediata, sem
planejamento e sem uma reflexão sobre o mal que pode acarretar ao negócio
e à qualidade do conteúdo."
Durante os debates, Del também falou da carência de pessoal qualificado
em TV, como autores, atores, figurinista, diretor e corpo administrativo.
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4. Silvia Oroz: "A telenovela é um gênero autônomo."
A historiadora enfocou a telenovela e afirmou que trata-se de um gênero
autônomo em relação à literatura e ao cinema. Nesse sentido, ela tem uma linguagem
própria.
Silvia também afirmou que a telenovela é rejeitada pelas elites por ser
considerada um gênero popular.
Nos debates, salientou que a globalização acaba fazendo com que se
mantenham as identidades culturais dos diferentes povos e, com isso, o futuro da
telenovela nacional ficaria garantido.
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(Manhã do último dia) - ROUPA SUJA SE LAVA NA TV
1. Soninha: "É óbvio que a mídia educa, mas quando
ocorrem distorções, educa mal."
Soninha, apresentadora de TV e ex-MTV, procurou distinguir programa popular de "baixaria", fazendo da
qualidade o elemento capaz de delimitar fronteiras entre um e outro.
No seu entender, se generaliza muito em termos do que é popular ou programa
de qualidade. Para ela, existe uma tendência em se classificar programas de acordo
apenas com esses dois conceitos.
Acha, também, que se confunde programa popular com baixaria. "Programas
populares existem em todos os canais", disse, mas ela procurou classificar os que têm qualidade
dos que não têm (estes últimos são os que considera "baixaria"). Dessa forma,
listou alguns programas que considera populares e aos quais atribui qualidade:
Casseta & Planeta, o Programa do Jô, Jornal Nacional, Globo Repórter, Fantástico,
novelas, minisséries, Fala que Eu te Escuto (Record), Viola, Minha Viola.
Os programas populares aos quais não atribui qualidade são: Programa do
Sérgio Malandro e o Programa Livre (no novo horário). Disse também que muitos
programas similares ela não consegue assistir mais do que alguns minutos e, por isso, não
pode avaliá-los.
Soninha distingue o que é popular do que é baixo nível: no baixo nível há o
bate-boca, a fofoca, a apelação, preconceitos estéticos (gordos, loiras, etc.),
colocar sexo na programação por qualquer motivo.
Um baixo nível que considera mais sutil é o do merchandising de
qualquer produto, onde o apresentador vende qualquer coisa.
Um baixo nível para ela ainda mais sutil é o colocado em jogos de competição
dentro de certos programas, onde rola um monte de preconceito.
E outro bastante sutil é o quanto se gasta para fazer um programa para o "povão".
Soninha afirma, ainda, que "é óbvio que a mídia educa, que ela influencia
muito no sentido de comportamentos, conceitos. E ela, quando ocorrem tais
distorções, educa mal."
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2. Carlos Massa (Ratinho): "O programa popular
é o último recurso da população".
O apresentador do SBT, Ratinho, falou a um público que, salvo algumas exceções,
não é o seu, mas não fez feio. Ao contrário, mostrou porque faz tanto sucesso. É
um comunicador nato, inteligente, sensível e capaz de falar e ouvir a linguagem
do povo.
Relatou suas origens simples, filho de um pedreiro, e de seu pouco estudo.
Disse que não entende nada de TV e que seu programa é o pior da televisão. Creio
que pretendia se referir à visão da crítica, porque logo em seguida abordou esse assunto ao
falar que seu programa "é o mais criticado da história da TV brasileira pela imprensa."
Afirmou, repetidas vezes, que não tem nada a ensinar e que só tem
a aprender.
Em suas palavras, "fazer televisão é ter um pouquinho de sensibilidade para
saber o que o povo gosta de ver."
Aos que criticam seu programa, disse que "a TV é um espelho da sociedade." E disse
mais: "Querer inventar televisão é conversa pra' boi dormir! Nós estamos a 500
anos agüentando as mesmas coisas."
Criticou o fato de que programas baixarias só parecem existir fora da Globo:
"Se passar na Globo é bom. Isso é uma grande mentira, uma hipocrisia", afirmou.
Para Ratinho, "programa popular é aquele que o povo quer ver".
Foi mais além ao dizer: "Se alguém quiser mudar a TV tem que mudar o
sistema educacional. Por que então não se coloca o Telecurso, da Globo, ao invés
de 5:30h da manhã, as 8:00 horas da noite? Essa hipocrisia eu não vou aceitar."
Ratinho entende que "o programa popular é o último recurso da população".
Nesse ponto, se referiu às falhas no sistema judiciário.
Sobre o funcionamento de seu programa, disse: "Eu coloco no ar aquilo que
eu acho que o povo vai gostar. No meu programa mando eu! Lá não tem diretor."
Na visão de Ratinho, o programa popular presta uma grande contribuição à
população.
Por último, critica os telejornais por usarem termos que o povo não entende.
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3. Cazé Peçanha: "A TV precisa buscar ir além de refletir a sociedade".
Cazé, apresentador da Globo, não acrescentou muito ao debate. Repetiu algumas coisas que a Soninha já
havia dito e ateve sua reflexão sobre programa popular basicamente centrada no
programa do Ratinho. Inclusive houve algumas discussões entre ambos, onde Ratinho
parece ter saído vitorioso.
Cazé elogiou Ratinho, dizendo que ele tem um grande talento, que não tem estudo,
mas é muito inteligente, tem o poder da palavra, que ajuda as pessoas em seu
programa e ajudaria mais ainda se não as expusesse tanto.
Concordou com a Soninha sobre programas que colocam situações de
forma preconceituosa.
Seguindo o pensamento de Ratinho, que defendeu seu programa dizendo que
a TV é um reflexo da sociedade, Cazé foi mais adiante: "A TV precisa buscar ir além de refletir a sociedade."
Mas foi só no debate final, de encerramento do evento, que ele relaxou e
se deixou ser o velho e bom Cazé dos tempos da MTV: irônico, com seu humor debochado, com tiradas inteligentes e
oportunas.
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(Tarde do último dia) - A TV É COISA SÉRIA?
1. Renato Ribeiro: "O Estado fornece a concessão
pública para a TV e lava as mãos quanto à qualidade dos conteúdos."
Renato Ribeiro, Professor de Ética e Filosofia Política da USP, se ateve a aspectos relacionados à regulação da TV. Assim,
analisou um pouco da legislação referente ao tema.
O professor coloca um elemento importante, levantado anteriormente por Gabriel
Priolli, da TV Puc, na discussão do controle sobre os conteúdos: é necessário que o telespectador seja ouvido. Coloca, então, um
questionamento: "Como regular a TV? É preciso que o público reclame, exija,
cobre qualidade. Esse é um caminho."
Avalia a interligação entre TV, Estado e polícia, exemplificando com a implementação
de campanhas veiculadas nas novelas e em programas que conscientizam o público
sobre certos assuntos. Assim, para Renato Ribeiro, o discurso da TV tem mais
força que o acadêmico. "A linguagem da ficção é forte", conclui ele.
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2. Antonio Abujamra: "Eu não sou um provocador. Eu sou
provocado. Eu saio nas ruas do meu país e eu sou provocado".
"Um amigo é uma espécie de eternidade." (Göethe). Com essa frase serena começa
a devastadora participação do diretor e ator Abujamra. Último a falar no evento, como
uma catástrofe natural, veio para destruir conceitos, para nos contaminar com sua
incoerência, para nos emocionar com a profundidade de seus devaneios sobre a
realidade de nosso país. E quando acabou sua participação, fiquei pensando sobre
o quanto fazem falta os pensadores, os questionadores, os loucos, os gênios.
Com toda a solenidade do mundo, disse ainda no início de sua fala, como que
anunciando o que estava por vir: "Eu vou tentar ser incoerente".
Sua definição de TV: "A TV é rascunho e eu quero rascunhar sempre."
Sobre o tema da mesa, A TV é Coisa Séria?, ele questionou se o Brasil é
coisa séria, se o Congresso é coisa séria, se aquele evento era coisa séria. Disse que
não queria falar da seriedade das coisas, que não queria ser sério. Então, contou
alguns casos da TV ao vivo, bastante divertidos, mostrando o quanto "TV é coisa
séria."
Mas, sua falta de seriedade não durou muito tempo. Logo, já estava narrando
a sua visão crua de Brasil e discordando dos que o chamam de provocador: "Eu
não sou provocador, eu sou provocado. Eu saio nas ruas do meu país e sou
provocado." Disse, e pude perceber toda a dor de suas palavras, que ao ver as
pessoas abandonadas nas ruas, "eu sinto uma espécie de qualquer coisa não vai
bem." Ele não acredita que a saúde e a educação, apesar de todos quererem provar a
ele o contrário, estejam melhorando no país.
"Nós, artistas, queremos é a imaginação".
Abujamra deixou claro que gostaria que a TV fosse a arte da democracia.
"Ela não é a arte da democracia." Relatou, então, que foi expulso de todas as TV's
onde trabalhou.
Sobre o papel do artista na TV, afirmou: "A imagem escraviza. A TV não pode
ser uma bala só no revólver pro' artista. O Collor tentou uma bala só. A TV machuca."
Abujamra alertou para o fato de que não viu ainda alguém que tenha feito televisão
a vida toda não ter pago alguma coisa por isso. "É preciso não trocar a
vida pela televisão."
Em relação ao distanciamento entre a TV e a vida real, declarou: "A TV dá a impressão
que não compreende os problemas que ela escolhe. Ela faz a estética a partir do sofrimento
das outras pessoas."
Repetiu inúmeras vezes, como para que decorássemos: "A TV tem que
ser descoberta. Ela ainda é virgem, ninguém sabe direito o que fazer com ela."
Abujamra disse não gostar quando a TV determina opiniões, diz verdades
absolutas. Para ele, ao contrário, "o artista tem que idolatrar a dúvida".
Sobre planejamento em cultura, "temos que ter cuidado com aquilo que se
faz. Tem que atuar hoje e não projetar para um ano ou daqui a 5 anos."
Na relação entre televisão e teatro, para ele, o teatro é a grande escola:
"O teatro é a fornalha do ator. É lá que ele vai entender o gesto que ele faz, o
gestual, o gesto social. A TV é execução: não há tempo."
Por fim, relembrou um pouco o passado do teatro, a censura e os grandes nomes.
"Nunca mais se viu uma grande criação no teatro e na TV brasileira."
Encerrando, em um vídeo de 8 minutos, Abujamra dispara incessantemente,
insanamente, sensatamente contra a TV e o meio artístico. Quando terminou o filme
e se acenderam as luzes, nossos conceitos estavam aos pedaços. E não havia mais
tempo para recompô-los. O evento havia terminado. E ainda bem que terminou assim,
da forma mais criativa e crítica possível, com toda a crueza, com toda a poesia e com
toda a louca beleza de Abujamra.
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